CPI apura
demora na elaboração de laudos de
perícia médica
A CPI constituída
com a finalidade de investigar denúncias
de erro médico, presidida pelo deputado
José Bittencourt (PDT), esteve reunida
na manhã da última quarta-feira,
para ouvir o superintendente do Instituto de Medicina
Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc),
Sidney Carvalho Júnior. O tema foi o processo
em que a Justiça destituiu o Imesc como
órgão responsável por realizar
perícias médicas judiciais por causa
da demora na elaboração dos laudos.
Carvalho fez inicialmente um relato de como o
instituto funciona e quais as dificuldades que
enfrenta para oferecer um laudo com brevidade,
já que, no caso em análise pela
comissão, o tempo entre a solicitação
e a expedição do mesmo foi de quatro
anos. Segundo o superintendente, o grande volume
de trabalho, o número reduzido de peritos,
a complexidade dos casos e a demora da juntada
de documentos ao processo são os fatores
determinantes para que os prazos de expedição
de laudo sejam extensos. Os deputados da comissão
solicitaram que fossem providenciados documentos
que informassem com detalhes o teor do caso, os
prazos e datas em que foram solicitados e obtidos
os documentos, o teor e a data em que foi expedido
o laudo da perícia. Os deputados afirmaram
que é necessário que seja feito
um esforço para que sejam criados cargos
de perito dentro da estrutura do serviço
público estadual.
Radioterapia
Em outro depoimento, foi ouvido
o médico Eduardo Stefano, responsável
técnico da empresa Quantum Assessoria em
Física Médica Ltda. O médico
é também casado com uma das sócias
da empresa. Os parlamentares inquiriram Stefano
sobre o funcionamento irregular do serviço
de radioterapia em hospitais públicos,
e a responsabilidade da empresa Quantum. O responsável
admitiu que manteve o serviço em funcionamento
por um ano e três meses após determinação
da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) para deputado Uebe Rezeck
(PMDB), e pelos deputados Fausto Figueira (PT),
Beth Sahão (PT) e Pedro Tobias (PSDB).
O deputado Milton Flávio (PSDB) fez considerações
acerca da motivação para que o responsável
pelo serviço da Quantum mantivesse o serviço
mesmo de forma irregular e afirmou que muitas
vezes, a favor do paciente, o médico assume
riscos de trabalhar em situação
não considerada ideal. O deputado Vinicius
Camarinha (PSB) afirmou que tem absoluta confiança
em Eduardo Stefano e acredita que o motivo da
manutenção do serviço de
maneira irregular foi a de não querer privar
os pacientes do tratamento. O outro depoente que
deveria também dar explicações
sobre o serviço de radioterapia, Cazuo
Arakawa, enviou um atestado médico informando
sua incapacidade para comparecer à CPI.
Encerrando os depoimentos, a comissão ouviu
Homero Lavieri Martins, físico biologista,
sobre os níveis de segurança no
tratamento com radioterapia. Homero informou que
a norma RTC 20, da Anvisa, estabeleceu sua desativação.
A interrupção do serviço
foi motivada porque a bomba de cobalto funcionava
com 26,3 centigreis, índice muito abaixo
do preconizado pela Anvisa, que é de 50
centigreis. Após tentativas de justificar
a opção que fez em manter o serviço,
mesmo contrariando a norma, e de contestar a competência
da agência para determinar o índice
a ser usado como parâmetro, Stefano foi
contestado pelo relator da CPI como índice
mínimo 50 centigreis para o funcionamento
das bombas de cobalto e que esta fora elaborada
de
forma democrática, com
consulta pública e após ouvir profissionais
e entidades ligadas à radioterapia. Os
parlamentares perguntaram ao físico quais
índices seriam seguros para o paciente,
e também pediram detalhes quanto ao abandono
da tecnologia que usa bombas de cobalto. Homero
explicou que o conforto do paciente e a segurança
do tratamento foram os aspectos que nortearam
o uso do índice de 50 centigreis. O especialista
confirmou que mundialmente a tecnologia que faz
uso de bombas de cobalto vem sendo abandonada
por razões de segurança e pela maior
facilidade de aplicação que outras
tecnologias apresentam. Houve consenso entre os
deputados membros da CPI de que é necessário
um grande esforço para a adoção
de normas e posicionamentos que possam garantir
a qualidade dos serviços de saúde
oferecidos à população.